Resenha do Livro: Sangue Inocente - John Ensor

Eu não tinha certeza se iria ler esse livro, "Sangue Inocente"  por John Ensor. Não foi porque eu tinha qualquer desacordo com a abordagem do livro... era que eu realmente não queria pensar sobre isso. Como suspeito que a grande maioria de nós sabe, há poucos assuntos mais sensíveis do que o aborto. Ninguém está tendo conversas informais em um cafeteria local, sobre se é ou não moralmente justificável ou compatível com a fé cristã, nem para uma boa conversa de jantar.

E eu me pergunto se a razão pela qual eu não queria sequer pensar sobre isso era mais porque eu não gosto da ideia de ser visto como "o mesmo que os outros" - ou que o pessoal bem-intencionado da vida pessoal que geralmente fica de pé aplaudindo a população mundana se auto destruir. Usando fotos e vídeos para usufruir de um momento triste, ganhando dinheiro e fama,  através das desgraças de muitas pessoas. E tanto quanto a ideia de fazer isso, que me deixa desconfortável, nós precisamos ser diferentes dos demais, quando um quer ir para o outro lado, você deve escolher o caminho verdadeiro, pois é só você que sabe, aquilo que vai te preencher e te fazer feliz.

Mas, como seguidores e adoradores de Jesus, podemos ser silenciosamente contra a vida? Se nos opomos particularmente a algo, mas não publicamente, o que isso diz sobre nós - o que as Escrituras têm a nos dizer sobre esse assunto? Nós não podemos deixar, que o sangue inocente seja derramado de uma maneira tão injusta e barata, precisamos sim! Manifestar o nosso amor e compaixão pelo próximo, necessitamos de falar a verdade, pois somos nós que temos o Espirito de Cristo em nossas vidas, nós sabemos a verdade, e um derramamento de sangue pode ser evitado. 

A culpa do sangue

Ensor, cita Deuteronômio 19: 7-10 , explica que “o povo de Deus é chamado para prevenir tanto a morte de inocentes quanto a culpa do sangue que resulta” (p. 8). Biblicamente, ele diz, não é permitido que fiquemos calados, mediante a tantas mortes. E o resultado de seu estudo é um argumento que forma a estrutura deste livro:

Meu argumento é que, sempre que nos deparamos com tal situação, resolvemos não aceitá-la, racionalizá-la, enterrá-la sob supostas prioridades mais altas ou fingir que não sabemos o que está acontecendo. Em vez disso, como aqueles que vieram antes de nós e que são elogiados por sua fidelidade, podemos lutar contra o derramamento de sangue inocente com todo o nosso poder moral e esforço prático, no local e por um longo tempo. (p. 11)

Como Ensor aborda seu argumento, olhando primeiro para a preciosidade da vida aos olhos de Deus (cap.1), ele leva para casa uma realidade devastadora: nenhum de nós está isento dessa culpa do sangue (cap.2). Depois de algumas especulações desafiadoras sobre o que podemos ou não ter feito no caso da era dos linchamentos nos anos 1930, ele escreve:

O aborto, como o linchamento, é o derramamento de sangue inocente, não é? Você fez as pazes com isso? Você já pesquisou em torno disso? Você pode levantar as mãos e dizer: "Eu não derramei esse sangue, nem vi isso acontecer"? … Você entendeu com clareza moral a necessidade de resgatar os fracos e os inocentes? Você já pediu a Deus a coragem moral para fazer isso? Quando me fiz estas perguntas um tempo atrás, fiquei pasmem. Eu era Pilatos. Meu silêncio deixou minha vida com culpa do sangue. Isso é ainda mais trágico porque, na glória da redenção, Deus tem ido muito mais longe do que oferecer o sangue de uma novilha. Eu decidi me arrepender. ( pp. 57-58 )

Enquanto eu lia essas palavras e olhava a foto que estava incluída no final do capítulo, não pude deixar de pensar nos meus dias na escola,  quando os jovens decidiam conhecer um prazer sexual antes do tempo, hoje eu pude intender que isso sim é pró-aborto, decidir ter filhos sem uma capacidade espiritual, é levar seu filho a morte. Eu fiquei muito, muito triste. Pois quantas vezes, não trocamos Deus e os seus ensinamentos por algo tão barato. Para mim, uma gravidez não é só um bebê que vai nascer, é um compromisso que vai ser feito diante dos pais e de Deus, é uma condição de viver, mas viver para Cristo. 

O perdão foi comprado pelo sangue

Felizmente, Deus providenciou a uma vida de perdão, mediante a morte de Jesus. No capítulo três, Ensor detalha maravilhosamente não apenas a necessidade da se arrepender, mas também sua promessa - sua limpeza da culpa. É a única coisa poderosa o suficiente para limpar a consciência, restaurar nosso relacionamento com Deus e satisfazer o clamor por justiça que o sangue inocente exige.

O aborto, Ensor explica, é fundamentalmente uma questão do evangelho.

Pensar no aborto como uma questão secundária - ou pior, uma questão meramente política - é fundamentalmente interpretar mal a experiência definidora de nossos tempos. Significa também que fundamentalmente deixamos de ver a verdade central de que somente a cruz pode purificar a consciência dos efeitos debilitantes da culpa do sangue.

Nossa capacidade de simplesmente ignorar a influência do aborto está prejudicando a eficácia do evangelho. O papel do aborto nas consciências de centenas de milhões de pessoas somente nos Estados Unidos, imagina no Brasil?! É um furúnculo que se manifesta logo abaixo da superfície de todos os esforços cristãos, e precisa de mudança. Ele precisa ser chamado pelo nome, confessado pelo nome e trazido sob um evangelho que declara que não há perdão para o derramamento de sangue inocente, exceto pelo derramamento de sangue inocente, isto é, pelo sangue de Cristo. (p. 68)

Apenas deixe essas palavras penetrarem. Se o aborto é uma questão do evangelho, devemos nos arrepender de nosso desejo de permanecer em silêncio. Temos que deixar de lado nossas noções de que é um mero tópico político. Embora certamente tenha implicações políticas, é muito mais profundo que a política. É uma questão de visão do mundo.

A maior força de Ensor neste livro é que ele não foge dessa realidade. Na verdade, ele é tão vigoroso, que não podemos deixar de ser tocados. Se somos realmente seguidores de Jesus, então não podemos ficar sentados à margem desta questão, nem podemos, com apoio bíblico, encontrar defesa para qualquer outra posição do que ser pró-vida, do que nos manifestarmos meio ao caos do mundo, em relação ao aborto.

Essas palavras foram difíceis de escrever, já que isso incomoda tanto a minha educação e como foi mostrado para mim. No Brasil, onde moro, nós temos leis sobre o aborto. Mas até quando ficaremos calados? Realmente é algo sério, por isso temos que ter cautela ao falar nesse assunto. Para isso precisamos mudar nossas atitudes, e escolhas egoístas, para assim evitarmos que um sangue inocente seja morto, antes mesmo de sua vinda ao mundo.

Uma pessoa pode até abortar, mas não é diferente do que lavar as mãos de Pilatos. O sangue permanecerá nas mãos delas. E se permanecermos em silêncio, não é só simplesmente sobre o aborto, mas sobre a esperança que o evangelho traz para aqueles que tiveram ou realizaram um, ou que pretendem fazer isso. 

O Sangue Inocente é talvez o livro mais pessoalmente convincente e desafiador que eu já li este ano . Você não vai gostar de ler este livro, mas faria bem se você ler.

Avaliação: 

Com amor e gratidão,

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