Resenha do Livro: A Travessia, por William P. Young


Este livro é um livro muito especial. Não é fácil falar dele de modo universal, porque eu acredito que ele seja do tipo que gera uma interpretação em cada leitor. Cada um terá sua própria Travessia com esta leitura. E eu contarei, nesta resenha, como foi a minha. Para mim, a travessia que fiz representou redenção e reencontro. Amor. Para quem não sabe, é um livro religioso, no qual o personagem se encontra com Deus, Jesus e o Espírito Santo. Mas não é apenas isso. Creio que é uma leitura útil até para quem não crê. Como eu costumo dizer, leia como ficção, mas se encante e reflita... Aproveite para questionar a seu modo e ver se descobre algo novo. Com certeza, aprenderá algo com A Travessia. O livro conta a história do clássico executivo, que vive sem amor e sem pensar em ninguém que não seja si mesmo. Até aí, parece cliché. Talvez a história seja, na arte e na vida, porque vemos muitas pessoas assim. E como já sabemos, o personagem passará por uma modificação. Até aí, não há surpresa. Com a capa e a sinopse, isso fica óbvio. Então, sei que você que está lendo essa resenha está me perguntando: "por que, então, Jamerson, eu devo ler A Travessia, se se parece tanto com o que eu já vi antes?". Bom, primeiramente, porque na verdade, não é igual. Se você espera que Tony, o personagem que embarca nessa viagem vá ao céu, veja anjos e escute sermões chatos, está muito enganado. "Ah... então, é uma conversa mais contemporânea e etc?" Não, é realmente diferente. "Não estou entendendo a história...". Tudo bem, então, partiremos do início.

Como eu já disse, Tony é esse típico senhor rico, bem sucedido que aparentemente tem tudo, mas na verdade não tem... Certo, certo. Quando se pensa em pessoas assim, alguns sentem pontas de inveja, outros de ambição por serem assim, outros indiferença, outros riem de alguma piada particular sem humor, e outros sentem pena. Só que a maioria se esquece de que todo mundo possui uma história. Você já parou para pensar que aquele cara que você viu na rua, sentado na praça, tem uma vida inteira antes daquele encontro e seus motivos para estar naquela praça? Ou então aquela garota do ônibus indo para o trabalho. Sim. Ela pode ter estudado e se dedicado muito para consegui-lo, e agora esteja lá, realizada em ir para lá, mas preocupada com a mãe ou com o namorado. Por quantas coisas aquela pessoa passou! É o mesmo que acontece com nosso personagem, e o autor sabe disso! Ele teve seus caminhos e rumos, que o fizeram chegar até ali, e acabou se tornando quem é. Não pense que tudo na vida dele são flores. Nunca é. Para ninguém. Prefiro não contar mais sobre isso, porque pode ser considerado spoiler. Digamos apenas, que pouco a pouco, o personagem se recorda de seu passado, e vê nele o que o magoou e o fez construir muros em seu coração. O que fez com que ele parasse de amar e de se importar com o próximo. E até aí, nós não falamos exatamente em religião. Estamos falando da vida de um homem que teve sua trajetória e cometeu seus erros. Que tem sentimentos como nós. Você vê esse homem na vida real? Consegue visualizá-lo? Muito bem. Sabendo que ele teve seu passado, agora pense em seu presente. Ele é solitário. Só se aproximou das pessoas que soube que poderiam lhe trazer algum benefício depois. Sua família? Foi afastada... As pessoas que o amavam? Também. E lá vai ele, se iludindo, e se dando conta de que está só.

De repente, ele se vê refletindo mais ainda sobre aquilo, quando está sentindo dores constantes e desconfia de que há alguém o seguindo. E se ele morrer? Para quem deve deixar seu testamento? Diante disso, ele começa a escrever o nome das pessoas em que confia. E a lista não é animadora... No momento em que está pensando em seu lugar particular, sofre um acidente e entra em coma. É aí, então, que começa a travessia. Quando eu pesquisei anteriormente sobre o livro, pensava que ele ficava em coma por pouco tempo e depois voltava, para fazer o que lhe foi pedido, mas não. Ele continua em coma, mas consciente e presente no mundo físico. "Fiquei confuso de novo..." Não fique! Vou explicar... Acontece que ao entrar em coma, ele acorda num lugar desconhecido, em que vai encontrar alguns amigos: Jack e Vovó. Na verdade, esses amigos não são reconhecidos por Tony. Só posteriormente ele vai descobrir que se tratam de Jesus e o Espírito Santo. E isso é muito, muito legal. Em A Cabana, outro livro do mesmo autor, também tem isso. Eles saem do papel que conhecemos, aquela imagem padrão que vemos sempre. Jack é um irlandês e Vovó é realmente isso, uma vovó com aparência indígena. É adorável! Eu vejo isso de forma muito positiva, pois mostra que eles não são matéria, padronizados ou preconceituosos. E pouco a pouco, enquanto Tony os conhece, vai descobrindo neles grande amor e amizade. Algumas cenas são até bem humoradas! No lugar do autor, eu teria medo da presunção de escrever algo com presenças tão grandes e de certa forma, desconhecidas fisicamente pelo homem. E além disso... cada um tem sua relação com elas. Como escrever para tanta gente, de modo convincente e sem passar ideias erradas em nossa imperfeição? Mas ele tem um dom, e consegue. Para quem acredita, o livro traz ainda mais uma relação de amor e carinho com tais figuras. Nos deixa mais próximos, nos faz conversar com eles e pensar neles com ainda mais amor.

E onde está Tony afinal? O corpo de Tony está no hospital, em coma. Já Tony mesmo está nesse mundo fora do físico, com seus amigos. Lá, ele vai conversar muito e descobrir muito mais sobre si mesmo, a ponto de repensar para a melhor. Há alegorias lindas na história, e os diálogos são incríveis. O autor desenvolve bem os personagens e o enredo. Os diálogos são inteligentes, e em certa dose, até filosóficos. São reflexivos, sobre a vida, críticos. Afinal, Tony é um cético. Como poderiam, eles, convencê-lo de que aquilo por que está passando é verdade? E nesse ponto, o livro é bem convincente. Nós somos convencidos. Voltando a onde está Tony e o que está fazendo, posso acrescentar que ao conversar ainda mais com Jack e Vovó, ele descobre que ficará encarregado de uma missão: escolher uma pessoa doente na Terra para ser curada de vez naquele momento, por Jesus. Mas quem? E é aí que entram mais personagens. Primeiramente, Tony se descobre enxergando pelos olhos muito conscientes de Cabby, um menino de 16 anos portador de Síndrome de Down. Achei fantástico ele ser colocado ali. Lá, ele aprende muito mais sobre o amor ao próximo, pois tem contato com um coração inocente e puro, e vai aprendendo, pouco a pouco, a amar o próximo. Cabby é filho de Molly, uma mãe solteira que ainda tem outra filha num hospital, internada com uma doença que deixa sua vida incerta. E além disso, ainda conhecemos sua amiga Maggie. Todos são pessoas boas, que ajudarão Tony em sua Travessia. Além disso, há outros personagens que aparecerão no decorrer da trama.

Além de alegorias que associam a alma com os lugares e muitas frases que nos fazem refletir sobre a vida e sobre nós mesmos, tirei alguns quotes e ensinamentos que mereciam destaque, como a observação de que cada homem cria seu próprio inferno, quando vive em suas ilusões, alimentando aquilo que não é verdade. E do jeito que é dito pode tomar tantas interpretações! E também há o quote mais que perfeito, que fala sobre algo com que concordo muito, e que me faz levar a vida de maneira muito melhor: o perdão da ignorância. Exigir que os outros sejam perfeitos cansa, se irritar com o outro porque ele não agiu como você quer, ou porque errou é exigir a perfeição que não existe. E é comum ver as pessoas fazendo isso tanto dos outros quanto de si mesmas. Também se reflete sobre crianças especiais, e a superação que os pais precisam ter. Sobre como diante de tais provações o caráter das pessoas se revelam. Se fala sobre julgar as pessoas e como isso pode ser prejudicial, sobre a confiança que se precisa ter nos relacionamentos. Sobre o sentido da vida, a redenção e o progresso, e muito, muito mais. Portanto, fica claro que é um livro que nos faz mudar, crescer, aprender. Cada fator combinado e unido no resultado da leitura. E o melhor de tudo é que nos fazendo aprender e colocando em pauta sentidos religiosos, a leitura é agradável, divertida, engraçada, até, em algumas partes. Você se sente em sintonia com algo maior, renovado, alegre, como acontece quando se lê livros especiais assim. Com certeza, William P Young tem um dom, e eu espero ver muitos mais livros seus por aí. Por essas e outras, A Travessia é um livro muito especial que merece destaque, e com certeza, um lugar na sua lista de lidos. Acredite você, ou não, em seu sentido religioso.

                                                

Autor: William P. Young
Editora: Arqueiro
Assunto: Vida, Valores, Religião, Deus, Ficção, Reflexão
Páginas: 240
Sinopse: Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando “acorda”, ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo. À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance.
Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria vida. Nessa jornada, precisará “enxergar” através dos olhos dos outros e conhecer suas visões de mundo, suas esperanças, seus medos e seus desafios.
Na busca de redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa?

Avaliação: ★★★★★

Obrigado por Ler!

Que Deus te abençoe,
Jamerson.

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